Taiana Uemura é campeã internacional de jiu-jitsu e portadora de Escoliose

Tatiana Uemura campeã internacional de jiu-jitsu
Tatiana Uemura foi ouro no Torneio Internacional Master de Jiu-jítsu no Rio - Foto reproduzida do instagram @tatianauemura

Tem gente que tem miopia e usa óculos. Alguns têm dente torto e aparelho. Quando eu tinha 14 anos, descobri que tinha 42 graus de escoliose, mas não usei colete. Eu cresci, a curva estabilizou. Dor? Vergonha? Roupa puxando? Nada. Eu nem me lembrava da escoliose. Pra mim nunca foi restrição, e ninguém nem sequer percebia. Vida que segue. Tive dois filhotes e nada de dor.

Aos 31, fui ao ortopedista, e minha curva tinha evoluído para 50 graus sem motivo aparente. Ele foi taxativo: “Cirurgia. Seu pulmão está sendo comprimido. Seu coração, sobrecarregado, você tem que operar agora”. Não, me desculpe: para mim, medicina não pode ser uma ciência exata. Saí de lá e fui ao cardiologista, ao pneumologista. Resultado: tudo perfeito, e eu não tinha dor alguma. Para que eu ia querer colocar duas hastes de metal na costas, limitar meus movimentos? Seria a solução? Questionei o médico: caso eu fizesse, a coluna perderia a mobilidade, ficaria mais reta, mas eu teria outras compensações e desgaste no corpo, certo? Ele confirmou.

Escoliose Tatiana Uemura, 50 graus
Raio-x panorâmico mostrando a escoliose da Tatiana de 50º - foto reproduzida do instagram @rodrigoandradefisioterapia

Saí de lá e busquei o pilates: aumentei mais minha flexibilidade e ganhei uma consciência corporal incrível. Passei a ser mais responsável em relação à postura e à musculação, que sempre pratiquei. Fazia muay thai e MMA e conheci o jiu jitsu. Em pouco tempo, estava totalmente dedicada à arte suave. Virei competidora, treinando todos os dias, e ganhei os principais títulos do esporte hoje na faixa azul. Recentemente, incorporei o SEAS à rotina de exercícios. Neste ano, faço 36 anos e quatro anos de jiu. E a coluna, por enquanto, segue estabilizada.

Moral da história: com uma cirurgia, eu teria chegado aqui? Não. Nunca mais pisaria em um tatame. Uma cirurgia hoje está na casa de R$ 200 mil. É muito mais fácil para o médico se valer de um número e te mandar para o centro cirúrgico. Acho que precisa haver mais humanização e bom senso: afinal, nenhuma pessoa é igual à outra. Por que os procedimentos também devem ser?

Tatiana Uemura, lutando
Tatiana Uemura lutando - foto reproduzida do instagram @tatianauemura

Hoje, operar não é a minha escolha. No futuro, não posso dizer. Nem 8 nem 80. Vejo pessoas com metade dos meus graus, com limitações e às vezes me pergunto por que nunca tive. No meu caso, acredito que não ficar se lamentando, ter uma vida ativa, uma cabeça boa e responsabilidade podem operar milagres.

Por caminhos tortos a gente também evolui. E rumo à faixa preta. Se Deus quiser. ;)

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