Daquela dor só me restou a cicatriz...



Me chamo Gabriela tenho 27 anos e sou de Porto Alegre Rs.
Descobri a escoliose com 11 anos de idade. Lembro-me que foi em um verão, eu estava de biquíni e minha mãe passou a mão sobre as minhas costas, notou uma saliência e logo quando voltamos pra casa fui para o ortopedista. O diagnóstico para surpresa de todos foi: a estranha e pouco conhecida escoliose. Fui encaminhada para outro especialista onde ele identificou meus graus. Na época já estava com um pouco mais de 40 graus. COLETE na certa. Usei por quase 2 anos durante 23hs por dia. Depois de muito sofrer não só com as dores, com a mudança do corpo mais com o bullying resolvi deixar o tratamento de lado. Fui para outro especialista e ele indicou a cirurgia mas a chances de dar errado eram de 50%. Optei por não realizar (isso eu já tinha 13 anos de idade). Os anos passaram e eu segui minha vida tentando me adaptar com a vida diferente, foram anos difíceis, minha auto estima era destruída. Me escondia nas roupas, guardava minhas emoções. Aprendi a sobreviver com a escoliose, mas viver? Ahh isso eu não sabia fazer.
Em 2014 eu comecei a piorar consideravelmente, muitas dores, falta de ar, formigamento nas pernas... voltei a me consultar, descobri que já estava com 100 graus de desvio e não tinha mais o que fazer minha única saída era a CIRURGIA. Era a única chance de cessar as dores, de tentar reverter o caso e de tentar construir uma qualidade de vida melhor. Foi a decisão mais difícil que tive que tomar, aos 25 anos (julho de 2015) resolvi fazer a cirurgia. Meu processo foi mega complexo, passei por 2 etapas cirúrgicas. Onde a primeira foi 4hs em bloco (o procedimento foi soltar meus discos intervertebrais pra se ter uma mobilidade melhor). Fiquei 7 dias com tudo solto dentro de mim. Após a primeira etapa concluída realizei a segunda cirurgia com duração de 9hs (onde me foi posto 29 parafusos e duas hastes).
Fiquei diversos dias na CTI, as dores foram inexplicáveis, tive dois processos de recuperação ao mesmo tempo. Fiquei quase 25 dias internada.
Após a volta pra casa tudo se tornou diferente, demorei muito pra conseguir fazer as coisas sozinha.
E havia dias que eu pensava será que foi a escolha certa a fazer?
Infelizmente não tenho como contar em detalhes tudo o que me aconteceu no post(se quiser saber mais pode entrar em contato comigo) entre altos e baixos, hoje 2 anos depois sei que foi a melhor escolha que eu fiz.
Me tornei uma outra pessoa, aprendi muito nesse percurso. Resolver optar pela cirurgia não é o caminho mais fácil, decidir pela artrodese é saber que você vai enfrentar um tempo difícil. Mas ao mesmo tempo é saber que é apenas uma fase. E que mesmo que as coisas sejam difíceis lá na frente você saberá que foi a melhor escolha que você poderia tomar.
Hoje depois de 2 anos posso dizer que daquela dor só me restou a cicatriz.

P.S.: A Gabriela é a criadora do Guria Titânio, uma página no Facebook que fala sobre escoliose de uma maneira que inspira e emociona. A escoliose nos uniu e hoje ela é a minha maior referência quando o assunto é artrodese (cirurgia para escoliose). Não deixem de visitar a página (link na bio) dela para conhecer mais sobre a sua história e a de tantas outras meninas com colunas tortas e cicatrizes.

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